A Estrada Que Te Trouxe Até Aqui
Se você chegou até esta página, eu já acredito numa coisa: não foi por acaso. A estrada tem dessas. Ela conduz a gente sem explicar e quase sempre entrega cada um exatamente onde precisava chegar.
Antes de falar de mim
Talvez você ainda não me conheça. Eu sou a Mãe Fran. Mas, antes de eu falar de mim, preciso te falar dela.
Porque a verdade é uma só: não existe uma sem a outra.
Ela me levantou da poeira
A Cigana da Estrada é a minha essência. É o sangue que corre nos meus caminhos, é a minha ancestral, é a Pomba Gira que me encontrou quando eu já estava caída na poeira.
Ela não estendeu a mão de longe. Ela desceu até onde eu estava, me levantou, sacudiu a poeira da minha saia e disse, com aquele riso que só ela tem: levanta, que a estrada é sua.
E se hoje é você quem está nesse chão, respira: ela sabe descer até onde você está.
Levanta, que a estrada é sua.
Ela é do ouro
Minha Cigana é uma Pomba Gira cigana. Ela é do ouro, da prosperidade, do amor próprio. Ela é do amor.
E é, acima de tudo, das estradas: as de fora, que a gente vê, e as de dentro, que a gente atravessa quase sem ninguém perceber. Essas de dentro são as que mais pesam. E são justo essas que ela não deixa você atravessar sozinho.
As estradas de fora, a gente vê. As de dentro, ela atravessa com você.
Onde ela termina e eu começo
Se você me perguntar, em uma palavra só, o que ela representa pra mim, eu não vou conseguir responder. Porque a resposta é tudo.
Cada dia que passa, eu sinto menos onde ela termina e onde eu começo. Eu estou me tornando a própria essência da Cigana.
Com a pressa de quem ama
Ela é amorosa. Ela é acolhedora. Ela pega o problema de quem chega e devolve solução, rápido, sem rodeio.
Ela cuida da minha vida inteira: do meu casamento, da caminhada do meu marido, da proteção do meu filho, do teto da minha casa. E cuida, com o mesmo amor, da vida de quem a procura de coração aberto. De quem chega como você chegou agora.
Sempre com a pressa de quem ama, com empenho, com uma sabedoria antiga que não cabe em explicação.
O meu porto seguro
A Cigana veio pra me trazer de volta. Veio trazer essa Mãe Fran que hoje fala com você. Eu devo a ela cada pedaço de chão firme que eu piso.
Sou apaixonada. Sou devota. Ela é o meu portal, o meu porto seguro, a minha mãe.
Honro o meu povo
E eu digo isso de cabeça erguida: eu honro o meu povo cigano. Tenho orgulho de ser cigana.
Porque quem foi levantado da poeira nunca mais esquece o nome de quem estendeu a mão.
Se você sentir o chamado
Então é por isso que eu te disse que não foi por acaso. Se hoje você parou numa curva escura, sem saber qual caminho seguir, presta atenção no que vou te dizer: talvez a Cigana já esteja vindo na sua direção.
Ela chega assim, sem avisar, bem na hora em que a gente mais precisa e menos espera. Esse aperto no peito enquanto você lê pode ser só cansaço. Ou pode ser ela, batendo.
E a porta, do meu lado, já está aberta.