A Cigana da Estrada

A Estrada Que Te Trouxe Até Aqui

Se você chegou até esta página, eu já acredito numa coisa: não foi por acaso. A estrada tem dessas. Ela conduz a gente sem explicar e quase sempre entrega cada um exatamente onde precisava chegar.

01

Antes de falar de mim

Talvez você ainda não me conheça. Eu sou a Mãe Fran. Mas, antes de eu falar de mim, preciso te falar dela.

Porque a verdade é uma só: não existe uma sem a outra.

02

Ela me levantou da poeira

A Cigana da Estrada é a minha essência. É o sangue que corre nos meus caminhos, é a minha ancestral, é a Pomba Gira que me encontrou quando eu já estava caída na poeira.

Ela não estendeu a mão de longe. Ela desceu até onde eu estava, me levantou, sacudiu a poeira da minha saia e disse, com aquele riso que só ela tem: levanta, que a estrada é sua.

E se hoje é você quem está nesse chão, respira: ela sabe descer até onde você está.

Levanta, que a estrada é sua.

03

Ela é do ouro

Minha Cigana é uma Pomba Gira cigana. Ela é do ouro, da prosperidade, do amor próprio. Ela é do amor.

E é, acima de tudo, das estradas: as de fora, que a gente vê, e as de dentro, que a gente atravessa quase sem ninguém perceber. Essas de dentro são as que mais pesam. E são justo essas que ela não deixa você atravessar sozinho.

As estradas de fora, a gente vê. As de dentro, ela atravessa com você.

04

Onde ela termina e eu começo

Se você me perguntar, em uma palavra só, o que ela representa pra mim, eu não vou conseguir responder. Porque a resposta é tudo.

Cada dia que passa, eu sinto menos onde ela termina e onde eu começo. Eu estou me tornando a própria essência da Cigana.

05

Com a pressa de quem ama

Ela é amorosa. Ela é acolhedora. Ela pega o problema de quem chega e devolve solução, rápido, sem rodeio.

Ela cuida da minha vida inteira: do meu casamento, da caminhada do meu marido, da proteção do meu filho, do teto da minha casa. E cuida, com o mesmo amor, da vida de quem a procura de coração aberto. De quem chega como você chegou agora.

Sempre com a pressa de quem ama, com empenho, com uma sabedoria antiga que não cabe em explicação.

06

O meu porto seguro

A Cigana veio pra me trazer de volta. Veio trazer essa Mãe Fran que hoje fala com você. Eu devo a ela cada pedaço de chão firme que eu piso.

Sou apaixonada. Sou devota. Ela é o meu portal, o meu porto seguro, a minha mãe.

07

Honro o meu povo

E eu digo isso de cabeça erguida: eu honro o meu povo cigano. Tenho orgulho de ser cigana.

Porque quem foi levantado da poeira nunca mais esquece o nome de quem estendeu a mão.

Se você sentir o chamado

Então é por isso que eu te disse que não foi por acaso. Se hoje você parou numa curva escura, sem saber qual caminho seguir, presta atenção no que vou te dizer: talvez a Cigana já esteja vindo na sua direção.

Ela chega assim, sem avisar, bem na hora em que a gente mais precisa e menos espera. Esse aperto no peito enquanto você lê pode ser só cansaço. Ou pode ser ela, batendo.

E a porta, do meu lado, já está aberta.

Que a sua estrada nunca esteja vazia, e que a mão certa te encontre antes mesmo de você chamar. Salve a Cigana da Estrada. Salve o povo que caminha.

E talvez, se você chegou até aqui e sentiu um arrepio, um sussurro dizendo “fica”, talvez a estrada também já saiba o seu nome. Quem sabe a gente não tinha mesmo que se encontrar bem aqui, bem agora.

Mãe Fran

Mãe Fran Cigana da Estrada